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Dinheiro Fictício II

17/09/2016

ouro-e-dolarO artigo “Do dinheiro-ouro ao dinheiro fictício” foi publicado, em inglês, pela revista Brazilian Journal of Political Economy (antes Revista de Economia Política). Agora postamos aqui a sua versão em português. O artigo tenta mostrar que a emergência do dinheiro puramente fiduciário pode ser explicada rigorosamente a partir de Marx. Ou seja, que essa explicação advém por meio de um adequado desenvolvimento da dialética da mercadoria e do dinheiro que se encontra em O Capital. Essa forma contemporânea de dinheiro, no entanto, não pode ser pensada como “signo do ouro”, ela é dita “fictícia”: eis que representa apenas valor esperado – e não valor efetivo.

Essa versão se encontra aqui: do-dinheiro-ouro-ao-dinheiro-ficticio

Kalecki: Entre Marx e Keynes

23/07/2016

Kalecki - Marx - Keynes

Michal Kalecki, mesmo tendo partido da obra de Marx, nunca adotou de fato as suas diretrizes metodológicas. Desenvolveu apenas, isto sim, uma longa e profícua carreira de economista. De fato, ele nunca pretendeu mais do que desenvolver uma teoria positiva do funcionamento do capitalismo. Apesar de algumas divergências, construiu uma teoria muito similar à de Keynes – um economista liberal por formação e por opção política. Mesmo sendo um socialista, Kalecki não produziu uma teoria crítica do capitalismo. Tal como Keynes, analisou o sistema capitalista pela ótica da circulação do capital, dando sustentação à tese de que a meta desse sistema é a produção de valores de uso. Não escapou também, verdadeiramente, do paradigma da economia do equilíbrio.

Procura-se mostrar no texto que se segue que a compreensão de Kalecki da economia capitalista é bem mais próxima daquela desenvolvida por Keynes do que daquela desenvolvida por Marx. O texto foi publicado na Revista da SEP e se encontra aqui: Kalecki – Entre Marx e Keynes (SEP).

 

Pesadelo resistente

09/07/2016

O atual momento histórico não está marcado pela perspectiva do avanço e do progresso. Ao contrário, um pesadelo de regressão parece rondar o Brasil e mesmo o mundo como um todo. Para não assistir passivamente ao desenrolar dos fatos é preciso começar compreendendo o que está acontecendo na sociedade humana cada vez mais unificadaCe cauchemar qui n finit pas pela relação de capital. Com o propósito de fornecer um esclarecimento nesse sentido, foi publicado na França mais um livro de Pierre Dardot e Christian Laval: Este pesadelo que não termina – como o neoliberalismo derrota a democracia. Explicando os efeitos deletérios da racionalidade neoliberal, ele pode contribuir para que seja possível encontrar uma forma de resistir ativamente ao sombrio dos tempos presentes. Uma resenha desse texto político, escrito e publicado sob um sentimento de urgência, é aqui apresentada como uma indicação de leitura.

E essa resenha se encontra aqui: Este pesadelo que não termina

 

Saída pela esquerda

25/06/2016

Brexit ImageEste blog não trata em geral de questões de conjuntura. Mas a situação posta pelo advento do Brexit reclama uma posição. Não, porém, para ficar a favor ou contra a desintegração geopolítica que ele anuncia. Não pelo resultado do plebiscito que indicou existir uma pequena maioria favorável à saída Grã-bretanha da União Européia. Mas porque esse evento põe em evidência uma questão de fundo extremamente importante: como a esquerda deve se posicionar em relação ao redemoinho político que atravessa com força crescente o chamado “mundo ocidental”.  Sabe-se que esse redemoinho se levanta nas águas quentes da grande depressão iniciada a partir de 2007-2008 e do rolo-compressor das políticas neoliberais que continuam a ser instituídas em escala mundial. Mas o que não se sabe bem é o que fazer diante de um mundo que se torna mais ameaçador, mais opressivo e menos democrático.  Na busca de uma resposta, publica-se aqui dois pequenos artigos, um deles de Clément Homs que reflete sobre a ascensão das políticas identitárias e um outro de Slavoj Zizek que sugere um caminho para a esquerda.

O artigo de Zizek encontra-se aqui: https://arlindenor.com/2016/06/25/precisamos-entender-a-esquerda-que-apoiou-o-brexit-zizek/

Já o artigo de Clément Homs está aqui: Homs – Os fatos novos da peste identitaria

Do nosso futuro humano

02/06/2016

Durante os últimos séculos, o capitalismo produziu civilização frequentemente por meios bárbaros. Agora, porém, o potencial civilizador desse sistema de relações sociais, caracterizado sobretudo pela subsunção do trabalho ao capital, está esgotado historicamente. Pois, desde a década dos anos 1970, o processo de modernização deixou de estar acompanhado por modernidade, isto é, por uma prática social e Figura Nova razaopolítica que se orienta efetivamente pela esperança de construir no vindouro um mundo globalmente melhor. Ademais, desde então, como sistema que tornava efetivamente mundializado, ele passou a operar sob a ameaça constante de uma estagnação secular. Foi diante dessa perspectiva que o neoliberalismo se difundiu e se afirmou como prática e pensamento político dominante que tem por função renovar e reativar o capitalismo. Para dar impulso à acumulação de capital em nível mundial, apresentou-se como um paradigma de racionalidade que visava condicionar em geral os comportamentos das pessoas, assim como o sentido do desenvolvimento da sociedade como um todo. Para tanto, ao mesmo tempo em que passou a sacralizar o sistema econômico como uma “ordem social” que se deve preservar acima de tudo, buscou transformar as pessoas em empresas, tratando-as de modo anti-humanista como veículos do processo de concorrência, isto é, como se fossem mero capital humano.

Discute-se essa questão num texto aqui publicado: Do que destrói o nosso futuro humano possível

 

Financeirização e capitalismo

19/05/2016

Figura TinaFinanceirização: Disciplina do Mercado ou Disciplina do Capital?

Quase todas as abordagens contemporâneas sobre a financeirização sustentam que ela resulta do neoliberalismo. E este é entendido como um retorno extemporâneo do rentismo. O domínio do setor financeiro globalizado sobre os sistemas econômicos nacionais não seria, assim, mais do uma distorção histórica que produz uma versão altamente perversa de capitalismo. Pois, além de ser muito mais instável, tal capitalismo superlativo engendra uma sensível piora na repartição da renda.  Ora, os economistas gregos John Milios e Dimitris Sotiropoulos contestam essa tese, mostrando num texto aqui traduzido que a financeirização é uma forma bem-sucedida de reforço da coerção do capital sobre o trabalho. E que surgiu para permitir, em face de certas barreiras históricas, a continuidade da reprodução desta relação social nas melhores condições possíveis.

O texto se encontra aqui: Financeirização – Disciplina do mercado ou disciplina do capital?

Da macroeconomia

14/04/2016

Post MacroeconomiaQuestionando a macroeconomia da “grande recessão”

Examinam-se neste artigo as teses de alguns macroeconomistas sobre a “grande recessão” que se seguiu à crise de 2008. Como esse evento econômico é um marco muito significativo na evolução recente do capitalismo, ele se apresenta como uma boa base para confrontar os diversos modos teóricos de pensar o funcionamento desse sistema como um todo. Assim, discute-se em sequência as teses de cinco economistas sobre as suas causas: dois deles, Ben S. Bernanke e Larry Summers, pertencem à corrente ortodoxa circunscrita pela teoria neoclássica; três outros são tidos como heterodoxos; dentre estes últimos, tem-se Steve Keen, que é pós-keynesiano, assim como Maria Ivanova e Andrew Kliman, que são marxistas.

O artigo foi publicado na Revista do NIEP: aqui