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Voo nominal e voo real

06/05/2017

Na postagem anterior, Voou mais alto e despencou, mostrou-se que o movimento descendente da economia capitalista no Brasil a partir de 2011 – e que, ao cabo de três atribulados anos, resultou numa depressão – podia ser explicado pela lei geral da acumulação capitalista de Karl Marx. Ora, essa depressão, que se tornou patente a partir de 2014, aprofundou-se tanto que, estando em maio de 2017, ainda não se sabe bem quando vai terminar. Na postagem que aqui se apresenta, Voo nominal e voo real: a galinha em ação, faz-se um esforço preliminar para explicar o comportamento do nível de preços no período entre 2000 e 2016. Em particular, quer-se explicar a ascensão da inflação a partir de 2006 e seu acelerar a partir de 2010. Para atingir esse objetivo, emprega-se a teoria de inflação proposta por Anwar Shaikh em sua obra magna, Capitalism. Diferente de outras teorias mais conhecidas, a teoria de inflação formulada por esse autor está fortemente inspirada na economia política clássica e na crítica da economia política de Marx.

A nota está aqui: Voo nominal e voo real – A galinha em ação

Voou mais alto e despencou

21/04/2017

            Nos anos 1990, alguns economistas passaram a empregar o termo “voo da galinha” para indicar o padrão de crescimento da economia capitalista no Brasil. Entretanto, entre 2004 e 2010 pareceu que esse padrão havia mudado de modo radical; pareceu que não podia ser mais visto como o voejo de uma galinha comum, mas como o adejo de uma galinha de angola. Pois, esta última é capaz de subir mais, ficar mais no alto e, assim, ir bem mais longe.

           Na verdade, o padrão de crescimento mudara apenas temporariamente. Por assim dizer, a ave que cisca no quintal do capitalismo mundial aproveitara uma oportunidade, subira no poleiro para daí poder se lançar um pouco além…. Porém, após um animado voo que não durou tanto assim, despencou rumo ao chão; de fato, como bem se sabe, caiu na lagoa dos patos e afundou. Agora, ela luta para voltar ao velho terreiro e se tornar novamente capaz de voos provavelmente tão rasos e intermitentes como aqueles que foram observados entre 1990 e 2003.

Para ler uma nota que procura uma explicação para o voo mais longo da economia capitalista entre 2000 e 2016 clique aqui: Subiu no poleiro, voou mais alto e despencou

Demanda e oferta para incompetentes

07/04/2017

Na maior parte do mundo e mesmo nos países ditos socialistas se ensina a microeconomia tal como foi img074desenvolvida pela teoria neoclássica. Ademais, grande parte do que se leciona sob o rótulo de macroeconomia funda-se também no modelo de equilíbrio geral que a cientificidade dominante põe como o arquétipo da boa teoria econômica. Ora, assim, se passa a pensar o sistema econômico real com base em uma noção positiva de equilíbrio que se caracteriza por afirmar o estado de repouso como o estado normal (pelo menos como forte tendência) de seu funcionamento.

Mas nem sempre, entretanto, foi assim. A teoria clássica e Marx, bem ao contrário, afirmam antes a anarquia e o desequilíbrio como o estado constante de seu evolver turbulento, um evolver complexo que põe uma certa ordem por meio apenas de permanente desordem. Por isso, essas teorias empregam noções negativas de equilíbrio: eis que permitem pensar o sistema num estado puro que ele só produz como resultado de intermináveis oscilações irregulares que se compensam ao longo do tempo.  

Aqui se desafia esse consenso e se busca mostrar que teoria neoclássica, mesmo se se apresenta como uma construção teórica que pode reivindicar a exatidão formal, não é rigorosa – ao contrário, sustenta-se numa pequena nota que até mesmo as suas noções usuais de oferta e demanda são artificiosas e mal fundamentadas.

A nota se encontra aqui:  Oferta e demanda para incompetentes

Voo da galinha

14/03/2017

A depressão da economia capitalista no Brasil, como duramente se sabe, persiste já por três longos anos.  Neste início de 2017, assombrados com as suas consequências sociais e políticas, as forças golpistas se mostram fortemente ansiosas para ver o seu fim e, assim, o início de uma recuperação.

Alguns economistas que atuam como gargantas do golpe – e funcionários de sua legitimação – anunciam apressados que a retomada é “pra já”. Sabe-se, na verdade, em geral, que as crises do capitalismo criam elas próprias as condições de sua superação porque, ao reduzirem os salários reais, ao destruírem os capitais ineficientes, etc., engendram uma recuperação da taxa de lucro. Ora, essa “purga” é necessária, mas não se afigura suficiente para a retomada dos investimentos. É preciso que surja também, no horizonte do cálculo capitalista, uma onda de novas oportunidades de lucro.

Ora, na economia brasileira atual, há ainda muitas empresas excessivamente endividadas e com excesso de capacidade ociosa. Ademais, o câmbio voltou a ficar valorizado e as taxas de juros cobradas nos empréstimos bancários às empresas produtoras de mercadorias são elevadíssimas. Ademais, um impulso de recuperação que poderia vir do investimento público encontra-se obstado porque o orçamento do Estado está constrangido a gerar excedentes financeiros.  Em consequência, o que está de fato no horizonte da acumulação de capital no Brasil é, por um lado, a continuidade da desindustrialização e, por outro, uma relativa estagnação da economia mundial.  Diante desse quadro econômico – ao qual se soma a severa instabilidade do quadro político –, qual seria a verdadeira perspectiva da economia capitalista no Brasil?

Indo ao fundo da questão, qual seria a perspectiva das classes sociais que se enfrentam no interior dessa “economia” gerenciada por economistas arrogantes que se orgulham de saber “Economics”? Segundo Luiz Filgueiras, professor da UFBA, no artigo que aqui se republica, diante do aprofundamento em curso das reformas neoliberais, os trabalhadores em geral devem esperar um agravamento das dificuldades para se reproduzirem enquanto tais, para ganharem uma vida às vezes bem miserável. E os capitalistas, “cheios de importância, sorrisos satisfeitos e ávidos por negócios”, devem esperar, no máximo e lentamente, um retorno do voo da galinha.

O artigo encontra-se aqui: Padrão de desenvolvimento e a natureza estrutural do Voo da Galinha

Equilíbrio: fundamento ou fenômeno emergente?

14/02/2017

capa-da-revista-do-niepNeste artigo, publicado na revista Marx e o Marxismo do NIEP, quer-se mostrar que há dois modos bem distintos de apreender o movimento do sistema econômico que se organiza com base na centralidade da relação social de capital e sobre o qual se levanta e se desenvolve a sociedade moderna. Mesmo que uma delas seja plenamente dominante e que a outra permaneça quase esquecida, sustenta-se que é muito importante apreendê-las  como opostas, como antípodas, como rivais. Uma delas, para apreender a complexidade constitutiva desse sistema, toma o equilíbrio com um fundamento e, assim, trata o seu dinamismo como uma questão subordinada. A outra, ao contrário, assume que essa complexidade se desenvolve por meio de uma dinâmica turbulenta em que a ordem se configura por meio da desordem, de tal modo que o equilíbrio aparece apenas como um fenômeno emergente.

O artigo se encontra aqui: Equilíbrio: fundamento ou fenômeno emergente?

Os “comuns” em questão

30/01/2017

Em setembro de 2015, publicou-se neste blog uma postagem com o título A luta pelo comum.  Por meio livre-de-coriatdela, divulgou-se o artigo Propriedade, apropriação social e instituição do comum, de Pierre Dardot e Christian Laval. Esses dois autores, nesse texto, defendem que “o princípio do comum que emerge hoje dentro de todos os movimentos sociais (…) não se define mais em termos de propriedade”. Ele é, assim, apresentado como oposto da propriedade privada, sem ser posto, alternativamente, como propriedade pública. Na postagem que se está aqui fazendo, divulga-se uma tradução de entrevista que Benjamim Coriat deu à revista Contretemps. Nela, ele defende um conceito de “comum” distinto do anterior. De modo diferente, sustenta ele a tese de que os “comuns” são compatíveis com a economia de mercado, ainda que venham “superar a ideia de que a única forma valiosa de propriedade seja a exclusiva”. Nessa perspectiva – é bem evidente –, os “comuns” são pensados sim como uma forma alternativa de propriedade em relação à privada e à pública. De modo crucial, bem ao contrário, ela pode conviver com essas duas últimas. O que distingue, segundo Coriat, os “comuns” é forma de governança, isto é, a forma pela qual a apropriação do recurso instituído como “comum” de certa comunidade vem a ser socialmente regulada por ela mesma.

A entrevista se encontra aqui: nao-podemos-apreender-os-comuns-com-as-chaves-do-passado

Marx e Keynes

20/01/2017

capa-revista-da-sepO artigo que aqui se publica defende a tese de que há três subcampos radicalmente distintos entre si no campo da macroeconomia. E que eles estão demarcados pelas obras de Marx e Keynes. Sustenta, por isso, que duas clivagens os separam: a Lei de Say e a meta objetiva do sistema econômico. Há o subcampo da macroeconomia walrasiana em que se acolhe a Lei de Say. Há o subcampo da macroeconomia keynesiana em que se rejeita a Lei de Say para aceitar o princípio da demanda efetiva. Tal como no primeiro, aí se toma a produção de valores de uso como a meta própria do sistema econômico. Há o subcampo da macroeconomia marxiana em que se recusa tanto a lei dos mercados quanto o princípio da demanda efetiva. Para esta última, o próprio modo de funcionamento da sociabilidade capitalista põe o capital como um “sujeito automático”, de tal maneira que a acumulação de capital devém a meta própria do sistema econômico.

O texto esta aqui: como-marx-e-keynes-demarcam-o-campo-da-macroeconomia

 

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